caluda!

Jamile Ferreira, 16.jan.2007

 
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Eu vou ser muita honesta: não tenho nada a dizer.

Sinto muito.

Juro que passei horas e horas, dias e dias, querendo parir uma idéia que fosse arrancar uma infinidade de traseiros suados de cadeiras sofridas por todas as partes do mundo, e de repente uma fila de “seguidores” surgisse na rua, na chuva, ou numa casinha de sapê, cantando em alto e bom som o “YMCA”, todos usando a máscara do Brizola, do Pedro o escamoso ou da Kate Moss, tanto faz, para dar um “quê” de “V de Vingança”, mas a verdade é: eu não tenho nada a dizer.

...

E, faça-me o favor: você realmente acha que alguém um dia bradará gostoso no seu ouvido uma palavra que vai arrebatar o vosso coraçaozinho malogrado, coitadinho? Ora, vá lavar uma trouxa de roupa que você fará mais por si – nem que seja andar mais limpo. Pelo amor de Deus, aproveita e vá tomar um banho e lavar essa orelha! Ou você acha que ninguém repara?

E nem vem: já vieram me dizer (ah, que irônico!!!) que esse meu comportamento é sinal de teimosia, pouca criatividade e nenhuma sabedoria. Sabe de uma coisa? É... pode ser. Mas também pode ser só tédio, preguiça, cansaço... e adianta discorrer sobre essa dúvida?

Ah, se falar adiantasse alguma coisa...

Você pode facilmente enumerar as vezes que alguém te "sugeriu" que NÃO fizesse tal coisa e vossa esplendorosa senhoria foi lá: e fez.

E as inúmeras vezes que você procurou uma palavra de motivação, aquela típica de técnico de time de futebol, que, depois de falar sobre muitas figurinhas fáceis da Enciclopédia Barsa, faz uma pausa dramática e solta uma frase batida, com olhos faiscantes pra dentro do seu pâncreas, pra você ficar todo animadinho e sair correndo pela estrada afora... e fazer AQUELA besteira monumental, inesquecível e vista justamente pelo seu eterno arqui-rival do colégio. Bem feito, trouxa!

Pois é... alguém abriu a boca... você foi lá... e fez. E... ? E se estrepou. Pode confessar! Estamos entre amigos, aqui. Se aquele safado não tivesse colocado “pilha”, se tivesse ficado calado, se tivesse reconhecido que tudo já foi dito, você estaria tranqüilo em seu leito, se masturbando ou só folheando uma revista cheia de figuras bonitas, coloridas... que vida linda!

Não concorda? Não? Ok, sem problemas. Eu não vou discutir. Não tenho argumentos – botei todos eles pra correr há uns anos! Eles só me causaram problemas. Bando de pervertidos!

E agora é a sua vez de ser sincero: desde quando você quer mudar os seus conceitos com uma bela briga, hein? Ou quer que alguém te convença de algum outro argumento que não o seu – aquele que você tem certeza absoluta que está certo, pronto e acabou?

Não precisa me dizer sua opinião - eu não quero saber.

Eu APOSTO que você (assim como eu!) tem a solução para: a fome no mundo, o caos aéreo, a questão número 4 da prova de matemática, o aquecimento global, o final da novela das oito, o projeto profissional que vai mudar o rumo da empresa, a solução para a solidão da sua amiga, para a tosse do carona, para o ronco do vizinho, para o final do seriado LOST... e aposto que, (assim como eu!) sua língua coça pra dizer.

Mas se você (assim como eu!), somado a todo o resto da humanidade, tem a chave para todas essas questões estapafurdiamente relevantes, e outras tantas tão fedorentas quanto, e partindo do pressuposto de que alguém já disse alguma coisinha ou outra, a mais miudinha que seja, e, MESMO ASSIM as coisas continuam exatamente como antes (incluindo o seriado LOST), vais falar mais o quê?

A não ser que... NÃO!!! Você quer salvar o mundo? Quer fazer a diferença? Nossa... você precisa de ajuda profissional!

Olha, não quero deitar seus sonhos por terra, óh Querida Madre Superiora, mas não sei se o mundo está querendo ser salvo, entende? Você quer conversar sobre isso? Quer um conselho? Um cafezinho, uma fatiazinha de queijo? Um golinho de cicuta?

Se você parar um pouco e pensar (ato que deveria ser obrigatório antes do verbo, não é mesmo?), você sabe o que está certo e o que não está certo, internamente. Uns falam que é anjo cuspindo no ouvido direto, o demônio no ouvido esquerdo (eu acho que é surto psicótico!), para outros é uma questão de bom senso (bléh!), para outros ainda é um calo inchado quando a temperatura aumenta ou uma coceirinha no ânus... não importa (exceto a coceirinha – é bom olhar isso, ok?). O que importa é que você simplesmente sabe. Já estava lá, antes mesmo de levantar a lebre dentro dessa sua cabeçona. Portanto, já foi dito, não é original – e o pior: tu fostes burro o suficiente para não “pegar” de primeira. Que vergonha!

Confesso que a criação do Pogobol me fez pensar sobre a originalidade das idéias e principalmente até que ponto chega a imbecilidade humana, mas acredito que aquilo foi apenas um lapso, um erro do destino, algo que sinceramente eu não quero falar a respeito.

Sinto muito acabar com a sua graça, colega, mas a idéia original acabou, morreu. Junto com Deus, Nietzsche e Clovis Bornay (juro que pensei que esse último não fosse morrer nunca mais!).

Você duvida? (Não... Clóvis Bornay está morto mesmo! Tô falando da idéia original!). Perca alguns minutos fazendo uma pesquisa sobre temas para monografia, independente do assunto, ao redor do mundo. Olha... é uma vergonha. Dá-me uma vontade cabeluda de tatuar na testa: CALUDA!!!

E não me venha falar do Prêmio Nobel. Principalmente de Física. Ninguém entende o que leva uma pessoa a ter uma vida tão pouco divertida! Aquilo não é “idéia original”, aquilo é total ausência de vida social (mas eu amo profundamente todos os físicos, químicos e matemáticos).

Está vendo? Falei, falei, falei e não falei nada! Até porquê, que pretensão a minha; tudo já foi dito.

Todos os discursos foram feitos.

Todos os "post" foram publicados nos "blogs".

Todos os livros já foram escritos.

Todas as idéias já foram expostas.

Desista.

Cala a boca!

Vá pra casa e arranque sua língua.

E, por favor, faça isso em silêncio.

 

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